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O que é consistência em fundos de investimento?

1 de junho de 2025 · Bruno Mérola

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O problema com retorno passado

Toda lâmina de fundo traz a frase: "Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura." Mesmo assim, a maioria dos investidores — e assessores — escolhe fundos com base exatamente nisso: quem rendeu mais nos últimos 12 meses.

O resultado é previsível. O investidor entra no topo, quando o fundo já performou. Seis meses depois, reclama que "o fundo não performa". O fluxo de captação segue o retorno com atraso — investidores entram tarde e saem tarde.

Consistência não é retorno alto

Um fundo consistente não é necessariamente o que mais rendeu. É o que entregou resultados previsíveis ao longo do tempo, em diferentes cenários de mercado.

Pense em dois fundos multimercado:

  • Fundo A: +30% em 2023, -5% em 2024, +25% em 2025. Média boa, mas imprevisível.
  • Fundo B: +15% em 2023, +12% em 2024, +14% em 2025. Média menor, mas estável.

Qual deles você prefere ter na carteira para os próximos 3 anos?

A maioria das plataformas diria que o Fundo A é "melhor" porque tem maior retorno acumulado. Nós discordamos.

Como o Sift mede consistência

No Sift, usamos um sistema de três etapas:

1. Litmus — Elegibilidade

Primeiro, filtramos. Patrimônio mínimo, track record, número de cotistas e situação ativa na CVM. Só quem passa nos critérios básicos entra na análise.

2. Teor — Score de consistência

O Teor é um score de 0 a 10 que mede a consistência histórica de cada fundo. Calculamos o percentil de cada fundo vs todos os pares do seu peer group, para cada dia útil da história, com peso exponencial para dados recentes.

A composição é: 60% retorno + 40% risco. No componente de risco, usamos métricas que vão além da volatilidade tradicional:

  • Ulcer Index: Mede a profundidade e duração dos drawdowns
  • CDaR (Conditional Drawdown at Risk): O drawdown esperado nos piores cenários
  • Penalized Risk: Combinação do Ulcer Index com CDaR normalizado pela volatilidade

3. Gema — Classificação

Fundos com Teor acima de 7 recebem o selo Gema — mas só depois de manterem o nível por pelo menos 3 meses. Os tiers são:

  • Bronze (Teor >= 7): Consistente
  • Prata (Teor >= 8): Muito consistente
  • Ouro (Teor >= 9): Excepcionalmente consistente

Por que percentil histórico?

A maioria dos rankings usa uma janela fixa — "melhor fundo dos últimos 12 meses". O problema: isso é uma fotografia. Um fundo pode ter um ano excepcional e ser medíocre no resto.

O Teor usa o percentil calculado para cada dia útil da história, com decaimento exponencial. Isso significa que:

  1. Consideramos toda a trajetória do fundo, não apenas uma janela
  2. Dados recentes têm mais peso que dados antigos
  3. Um fundo precisa ser consistente ao longo do tempo, não apenas em janelas convenientes

Conclusão

Consistência não é glamourosa. Não aparece em rankings de "melhor fundo do mês". Mas é o que separa gestores habilidosos de gestores sortudos — e é o que vai definir o resultado da sua carteira no longo prazo.

No Sift, acreditamos que medir consistência é mais útil do que medir retorno passado. Se você concorda, explore as estratégias e veja quais fundos realmente entregam resultados previsíveis.